Não julgueis, para que não sejais julgados


O momento que todos nós aguardamos é o nosso encontro com Deus. Alguns cristãos nutrem medo desse encontro, mas a maioria de nós o deseja ardentemente! Quando estivermos frente a frente com o nosso Criador, todas as coisas se tornarão claras! Hoje, nosso entendimento está limitado à esfera natural humana, mas naquele Dia essas limitações não mais existirão! 

Com muito esforço procuramos imaginar aquilo que Deus tem preparado para nós! Um mundo sem dor! Um lugar onde não existe a morte, apenas vida e vida abundante! Alguns desenham um lugar florido, com campinas verdejantes, cheio de famílias felizes! Porém, a bíblia garante que tudo isso ainda é muito pequeno se comparado àquilo que Ele nos reserva!

“mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Co 2:9).

Tudo isso parece muito agradável e desejoso, mas não podemos esquecer que no Dia do Senhor também seremos julgados. Quais os critérios que serão utilizados? Nosso Pai nos ama tanto que até mesmo quanto ao julgamento que nos aguarda, Ele nos orienta para que sejamos aprovados! No livro de Mateus, capitulo sete, encontramos uma excelente orientação:

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também” (Mt 7:1-2).

É preciso muito cuidado com esse versículo! Por um lado, a ordem de Jesus ao dizer: “não julgueis” tem por finalidade repreender aqueles que desqualificam aos outros para se exaltarem! É uma advertência direta contra a hipocrisia! De modo algum esse versículo pode ser usado para encobrir pecados ou condutas pecaminosas! Jesus está nos convidando a discernir nossos próprios erros! Às vezes é difícil perceber, mas grande parte dos atributos que nos incomodam nos outros estão presentes em nós! Aquilo que desejamos mudar nos outros, provavelmente, é a mesma coisa que os outros desejam que fosse mudado em nós! É fácil identificar os defeitos dos outros e, ainda mais fácil, encontrar justificativas para os nossos defeitos! Somos por natureza “justos” com os outros e misericordiosos para conosco! Jesus nos convida a inverter esses papéis!

Por outro lado, é desejo de Jesus que estejamos aptos para admoestarmos uns aos outros, tal como nos ensina o apóstolo Paulo: “E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para admoestardes uns aos outros” (Rm 15:14). E se alguém for surpreendido em alguma falha, devemos, sim, corrigi-lo, porém com brandura! (Gl 6:1). Com tudo, não nos esqueçamos da segunda parte da ordem de Jesus: “com o critério com que julgardes, sereis julgados”. Se o nosso julgamento é com justiça, é assim que seremos julgados, de maneira justa! E agora, um ponto crucial visando nosso encontro com Ele! Se nosso julgamento hoje é misericordioso, com misericórdia seremos julgados! Talvez você ainda não tenha percebido o valor disso! Mas diz respeito a sua, e a minha, aprovação diante Dele!

A misericórdia tem um peso altíssimo no juízo de Deus. E isso porque ela nasce de Seu grande amor. No passado nossa situação era de miséria, não encontro outra palavra para melhor descrever o que éramos antes de o Senhor nos alcançar. Nossa condição não inspirava amor, somente miséria! Por essa razão, sendo rico em misericórdia, Ele estendeu sua mão para nós! O Senhor nos amou, mas foi pela misericórdia que Ele nos alcançou! Observe:

“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,
e estando nós mortos em nossas delitos, nos deu vida juntamente com Cristo - pela graça sois salvos” (Ef 2:4-5).

Se o próprio Deus teve misericórdia de nós, é óbvio que Ele espera o que tenhamos o mesmo tratamento uns para com os outros! 

A misericórdia não é apenas o meio pelo qual fomos salvos, mas é também o meio pelo qual seremos aprovados no Dia do Senhor! Leia atentamente:

“Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2:13).

Percebe o valor da misericórdia? Entretanto, precisamos de maior clareza aqui também! Caso contrário, alguém poderá imaginar que, por perdoar os erros dos outros terá por garantido o perdão dos próprios erros. Não é esse o ensinamento! Em outras palavras, Tiago está nos garantido que, aquele que recebe o perdão de Deus e não perdoa o próximo não tem apreço pela misericórdia de Dele! Logo, para esse, o juízo será sem misericórdia!